MUNDO HQ

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Spoiler: Straczynski, Thor, Homem-Aranha e Quarteto


Muito se falou até agora dos novos rumos da vida do Homem-Aranha, mas o principal roteirista da série, J. Michael Straczynski só ontem resolveu dar algumas palavras mais “oficiais”, não só sobre o aracnídeo, mas sobre seus projetos em geral.

"Neil Gaiman veio a Marvel com algumas idéias para Thor, bons conceitos. Eu entrei com uma segunda idéia, e porque não combiná-las? Mark Millar também quis entrar nisso tudo, e Joe Quesada autorizou”.

Especula-se a volta de Thor porque o martelo do personagem voltará a aparecer, caindo na Terra na revista do Quarteto Fantástico nos próximos meses.

Já sobre Homem-Aranha: “Tony Stark se tornou quase um pai para Peter o convidando para morar na Torre Vingadora. Ele decide criar um uniforme para Peter devido a essa ligação, e as cores e a tecnologia são o jeito de Tony fazer as coisas.

O uniforme é um presente, mas ao longo do tempo também é um modo de prender Peter a Tony, o preço a se pagar.

Já dissemos antes que o uniforme não é definitivo, não posso dizer com precisão, mas acho que em 2007 Peter voltará a usar o uniforme original”.

O roteirista também disse que os fãs não têm que se preocupar com essa mudança, mas quais fãs gostariam de ver Peter Parker voando?

Capa Variante de Miss Marvel #1


Foi liberada a arte da capa variante de Ms. Marvel #1, desenhada por Michael Turner; além da imagem que você pode conferir ao lado, uma edição com uma versão colorida também será disponibilizada.

Para quem não sabe Miss Marvel é Carol Danvers, ex-piloto da Força Aérea dos Estados Unidos; após ser exposta a radiação de um dispositivo da raça alienígena Kree, Danvers adquiriu superforça, poder de vôo e um “sétimo sentido”, mais poderoso que o “normal” sexto sentido, e juntou-se aos Vingadores.Perdeu seus poderes e memória numa batalha com Vampira (quando esta ainda era vilã), que os absorveu permanentemente; com a ajuda do Professor Xavier, recuperou suas lembranças e participou de aventuras com os X-Men, quando entrou em contato com um “buraco branco”, uma fonte inesgotável de poder cósmico e tornou-se a Binária.Tempos depois, essa conexão foi quebrada, mas Danvers manteve alguns de seus poderes e voltou aos Vingadores, desta vez como Warbird; mas a insegurança por não possuir mais suas antigas habilidades a levaram ao alcoolismo e, novamente, deixou a equipe; voltou com a ajuda de Tony Stark. Recentemente deixou-os novamente para cumprir missões para a SHIELD e acabou tornando-se uma espécie de “oficial de condicional” da nova encarnação dos Thunderbolts.

Esta nova série se passa após os eventos de Dinastia M, quando Danvers retoma o codinome Ms. Marvel, e conta com roteiro de Brian Reed, desenhos de Roberto de la Torre e capas de Frank Cho; nela, Ms. Marvel enfrentará uma invasão alienígena que pode pôr fim à vida na Terra. Estão previstas participações do Capitão América e de Jessica Jones.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

ANÁLISE DE "O CAVALEIRO DAS TREVAS"

A Sombra Através do Relampago
por Antonio "Moore" Tadeu

Criado em 1939 por Bob Kane, Batman é um dos personagens que nascerem a beira da mitologia moderna dos Quadrinhos. Diferente dos outros super-heróis que nasceram nessa época, Batman gera um fascínio maior por parte de sua caracterização, desvinculada dos signos normalmente associados as lendas do mito do herói, traz a nossos olhos uma proximidade maior com nosso “ser humano” interior. Utilizando uma das mais clássicas histórias do personagem “Batman: O Cavaleiro das Trevas” de Frank Miller, tentará ser traçado nesta análise um perfil sobre sua figura heróica, em uma comparação com seu maior inimigo, O Coringa, e outro dos maiores heróis de sua época, o Super-homem.

Matéria originalmente publicada em www.mansaowayne.com e republicada aqui com permissão.

A Piada Final:
A Sombra da Comédia e da Tragédia


Em seu gênese, Batman representa com fidelidade parte do ciclo do herói: como uma onda turbulenta, o destino o arremessa para dentro de um ciclo que muda totalmente sua vida. Neste caso, presenciar a morte violenta de seus pais por um ladrão/assassino comum foi um abalo tão violento na psique do pequeno Bruce Wayne, que isso o levou a uma busca para poder se sentir aliviado desta dor. “Numa palavra: a primeira tarefa do herói consiste em retirar-se da cena mundana dos efeitos secundários e iniciar uma jornada pelas regiões causais da psique, onde residem efetivamente as dificuldades, para torná-las claras, erradica-las em favor de si mesmo (isto é, combater demônios infantis de sua cultura local) e penetrar no domínio da experiência e da assimilação, diretas e sem distorções, daquilo que C. G. Jung denominou “imagens arquetípicas”. (...) Os arquétipos a serem descobertos e assimilados são precisamente aqueles que inspiram, nos anais da cultura humana, as imagens básicas dos rituais, da mitologia e das visões.” (Campbell p. 27).

A saída que Batman encontra é lutar contra o crime. Ele então passa a viajar pelo mundo em busca de qualquer um que possa lhe dar algum ensinamento que será de valia em seu combate contra o crime. No aspecto de seu “nascer” heróico, ele consegue se igualar a tantos outros mitos, passando por um período conturbado em sua vida, onde logo lhe é mostrado o caminho o qual seu destino foi traçado. “(...) A criança do destino tem de enfrentar um longo período de obscuridade. Trata-se de uma época de perigo, de impedimento ou desgraça extremos. Ela é jogada para dentro, em suas próprias profundezas, ou para fora, no desconhecido; de ambas as formas, ela toca as trevas inexploradas.” (Campbell, p. 316)Joseph Campbell
As semelhanças com o mito do herói parecem acabar por aí. Em sua busca por um meio de esconder sua identidade, Bruce Wayne se espelha no morcego, criatura que temia em sua infância, para poder levar terror ao coração dos bandidos.

Diferente dos outros heróis que agregam um amontoado de valores ditos “positivos”, Batman se mune do mais puro arsenal “negativo”, isso ainda se acentua mais quando comparado com seu arqui-inimigo, o Coringa. Batman representa as sombras, que funcionam como seu habitat natural; o escuro, aonde ele se sente mais confortável e por onde ele age; o medo, que ele usa para poder assustar os bandidos, se tornando uma perfeita lenda urbana; e o morcego, uma criatura notívaga que no imaginário popular esta ligada aos vampiros, a noite e outros aspectos negativos “O negro é, para algumas pessoas, a imagem arquetípica da ‘criatura primitiva e sombria’, portanto uma personificação de certos conteúdos do inconsciente.

Talvez seja esta uma das razões por que o negro é, tantas vezes, rejeitado e temido pela gente branca. Nele o homem branco vê, diante de si, a sua contraparte vivo, o seu lado secreto e tenebroso (exatamente o que as pessoas tentam sempre evitar, o que elas ignoram e reprimem).” (Jacobi, Jolande, p. 300). Em contrapartida o Coringa carrega tudo o que é oposto ao Batman: sua face, assim como suas vestes, são brancas, seus trejeitos são alegres, pendendo para uma certa “alegria” cômica, e a maioria de seus armamentos são disfarçados com temas infantis – como bombas em formato de bonecas, ou algodão doce envenenado – demonstrando este aspecto de sua psique. Para ficar mais evidente a dualidade destes dois antagonistas, em Cavaleiro das Trevas, Coringa permanece dez anos em estado catatônico, o mesmo período que o Morcego se mantém recluso de sua vida de vigilante, retornando a si quando este volta a combater o crime.

Através de todos estes apontamentos nas características que compõe os dois personagens é possível ressaltar que todos os detalhes que se agregam ao Batman, o “herói”, são voltados para uma simbologia que se desprende a aquela imortalizada no mito do herói tradicional, sendo que, na verdade, estes símbolos heróicos em sua maioria se mostram presentes na compleição do Coringa. Em um olhar mais profundo, é um puro embate entre a tragédia e a comédia. “A tragédia é a destruição das formas e do nosso apego às formas; a comédia, a alegria inexaurível, selvagem e descuidada, da vida invencível. Em conseqüência, tragédia e comédia são termos de um único tema e de uma única experiência mitológicos, que as incluem e que são por elas limitados: a queda e a ascensão (kathodos e anodos), que juntas constituem a totalidade da revelação que é a vida, e que o indivíduo deve conhecer e amar se deseja ser purgado (katharsis = purgatorio) do contágio do pecado (desobediência à vontade divina) e da morte (identificação com forma mortal).” (Campbell, p. 34-35).

Batman então se torna um herói mais humano, pois sua luta contra o Coringa pode ser lida como uma singela metáfora do trágico percurso da vida: “O final feliz é desprezado, com justa razão, como uma falsa representação; pois o mundo – tal como o conhecemos e o temos encarado – produz apenas um final: morte, desintegração, desmembramento e crucifixão do nosso coração com a passagem das formas que amamos” (Campbell, p. 32).

Batman e Robin Um ponto a se ressaltar na personalidade do Homem-Morcego: ele é um dos poucos heróis a possuírem um ajudante mirim. No caso de Cavaleiro das Trevas, Batman já teve dois ajudantes erguendo a capa de Robin: Dick Grayson, que por certos atritos não fala mais com ele, e Jason Todd, que por alguma razão, fora morto, sendo esse o grande motivo do vigilante ter deixado de atuar. “Gilgamesh tocou o coração de Enkidu, mas ele já não batia; seus olhos também não tornaram a se abrir. Gilgamesh então cobriu o amigo com um véu, como o noivo cobre a noiva. E pôs-se a urrar, a desabafar sua fúria como um leão, como uma leoa cujos filhotes lhe foram roubados. Vagueou em torno da cama, arrancou seus cabelos e os espalhou por toda parte. Arrancou seus magníficos mantos e atirou-os ao chão como se fossem abominações.” (A Epopéia de Gilgamesh, p. 133) É evidente que a dor de um companheiro sentida pelo lendário Gilgamesh, rei de Uruk é análoga à dor de Batman, porém, como Enkidu, Robin não é só um companheiro, mas alguém a quem o protagonista tinha como um irmão de sangue, uma visualização de si mais pura. Quando Carrie Kelley, a nova Robin assume o manto, é de se notar o modo como Batman age a seu respeito: proteção e educação.

Esta faceta representa o lado do herói que serve como inspiração as pessoas, mas neste caso, Batman encontra uma alma que estaria tão perdida como a dele quando era pequeno, cuidando para que esta não se torne alguém tão ambíguo como ele. Diferentemente do Coringa, que pouco parece se importar com outras vidas humanas, Batman no fundo é uma personagem que não deseja ver a morte – ou causar – a morte de ninguém, e é nesse ponto que conseguimos detectar quem é o herói. “A batalha entre o herói e o dragão (visto aqui como o Coringa) é a forma mais atuante deste mito e mostra claramente o tema arquetípico do triunfo do ego sobre as tendências regressivas. Para a maioria das pessoas o lado escuro ou negativo de sua personalidade permanece inconsciente. O herói, ao contrário, precisa convencer-se de que a sombra existe e que dela pode retirar a sua força. Deve entrar em acordo com seu poder destrutivo se quiser estar suficientemente preparado para vencer o dragão – isto é, para que o ego triunfe precisa antes subjugar e assimilar a sombra”. (Henderson, p. 120).

Apesar de demonstrar uma profunda raiva contra o Coringa, aparentemente desejando a sua morte, ele não consegue o fazer. Torcendo o pescoço do palhaço parcialmente em um túnel do amor – uma metáfora para a relação profunda e conflituosa entre os dois – ele consegue resgatar parte de sua força interna, se contendo no instante em que iria quebrá-lo. Ensandecido, Coringa resmunga algo a respeito da fraqueza de Batman em matá-lo, e torce o restante que faltava para morrer, simbolizando que, no final a tragédia que do morcego não conseguiu vencer a força de sua comédia. “O final feliz do conto de fadas, do mito e da divina comédia do espírito deve ser lido, não como uma contradição, mas como transcendência da tragédia universal do homem. O mundo objetivo permanece o que era; mas, graças a uma mudança de ênfase que se processa no interior do sujeito, é encarado como se tivesse sofrido uma transformação” (Campbell, p. 34)


(...)quando está atacando tanques e aviões, sua silhueta é enegrecida, onde somente sua tremulante capa vermelha é ressaltada, como um estandarte simbólico da guerra. O Deus e o Homem:
A Sombra da Capa Vermelha


“Amo todos Aqueles que são como gotas pesadas caindo uma a uma da nuvem escura que pende sobre os homens: eles anunciam que o relâmpago vem, e vão ao fundo como anunciadores. Vede, eu sou um anunciador do relâmpago, e uma gota pesada da nuvem: mas esse relâmpago se chama o além-do-homem” (Nietzsche, p. 212).

Das idéias de Nietzsche, o mito do sobre-humano (ou Übermensch, no original) concebe um homem além-do-homem. Um ser que está acima da humanidade em si, com poderes e conjecturas acima de nossas questões supérfluas. Sintetizados por Jerry Siegel e Joe Shuster, estes conceitos deram origem ao primeiro herói sobre-humano dos quadrinhos: o Super-Homem. Com poderes titânicos, ele mais se aproxima de um deus do que a de um homem.

Sendo o responsável indireto pela criação do Batman, traçar um contraste entre os dois é algo extremamente simples. Diferente do Homem-Morcego, o Super-Homem é carregado de simbologias que correspondem perfeitamente a imagem e ao mito do herói. Seu uniforme representa nitidamente os Estados Unidos, e todos os valores que os Estadunidenses afirmam ter, como a livre iniciativa, a coragem e o poder (em forma de poderio da nação). O simples ato de voar já pode ter uma grande significância: “(...) O Pássaro é, efetivamente, o símbolo mais apropriado da transcendência. Representa o caráter particular de uma intuição que funciona através de um médium, isto é, de um indivíduo capaz de ter conhecimento de acontecimentos distantes – ou de fatos de que conscientemente nada sabe – entrando num estado de transe.” (Henderson, pg 151).

Muitas vezes é também assimilado a Águia, por seus poderes, percepção fina e imponência. A luz também se faz presente, com sua ligação com o Sol, que através de seus jovens raios solares amarelos, alimenta o herói com sua força. No Cavaleiro das Trevas isso se torna claro de se ver: em todos os momentos que Clark Kent (identidade civil do Super-Homem) aparece, o cenário se ilumina, se enche de elementos positivos e as soluções para os problemas são rápidas, ao contrário do Batman, que como já é dito acima, sempre está ligado a sombra e a aspectos negativos.

Batman foi criado por culpa do Super-Homem: vendo que este nicho do mercado de HQ’s estava prosperando, eles trataram de criar um outro herói fantasiado, que seguindo o ciclo cosmogônico de Deus/Lenda-humana, deu origem a criação de Bob Kane. “Chegamos ao ponto no quais os mitos da criação passam a ceder lugar à lenda – tal como no Livro do Gênesis, depois da expulsão do Paraíso. A metafísica é substituída pela pré-história, que é vaga e indistinta a princípio, mas aos poucos exibe precisão de detalhes. Os heróis tornam-se cada vez menos fabulosos, até que, nos estágios finais das varias tradições locais, a lenda se abre à luz comum cotidiana no tempo registrado” (Campbell, p. 306).

Como o yin-yang budista, ambos não se dão propriamente muito bem, apesar de estarem do mesmo lado, os métodos de um geralmente não são do agrado do outro. Em Cavaleiro das Trevas, essa posição de ambos é acentuada: enquanto Batman defende a ação dos vigilantes, Super-Homem se põe ao lado do governo, que sancionou uma lei que proibira o vigilantismo. Com medo do que os homens poderiam lhe fazer, Kent prefere ficar ao lado deles como um cão de guerra pronto a seguir qualquer ordem do caricaturado presidente Ronald Reagan.

Essa noção de submissão ao governo é vista nas poucas cenas que o Super-Homem aparece agindo como arma de destruição em nome do E.U.A: quando está atacando tanques e aviões, sua silhueta é enegrecida, onde somente sua tremulante capa vermelha é ressaltada, como um estandarte simbólico da guerra. “Consumar é o que eu quero: pois uma sombra veio a mim – de todas as coisas o mais silencioso e o mais leve veio um dia a mim! A beleza do além-do-homem veio a mim como sombra. Ai meus irmãos! Que me importam ainda – os deuses!” (Nietzsche, p. 219).

Para dar um término em seu ciclo do herói, o Homem-Morcego arma um grande plano: derrotar a maior força deste mundo, e morrer de uma forma heróica.Ao lado da Superpotência Americana, Super-Homem assume uma postura ditatorial, como se forçasse certos valores de si, colocando-os acima da liberdade dos homens defendidas por Batman. “O tirano é soberbo, e aí reside seu triste fado. Ele é soberbo porque pensa ser sua a força de que dispõe; assim sendo, exerce o papel de palhaço, daquele que confunde sombra e substância; seu destino consiste em ser enganado. O herói mitológico, ressurgindo das trevas que constituem a fonte das formas visíveis, traz o conhecimento do segredo do triste destino do tirano. Com um gesto, simples como pressionar um botão, ele aniquila essa impressionante configuração. A façanha do herói é um constante abalar das cristalizações do momento. O ciclo se desenvolve: a mitologia enfoca o ponto de aumento. A transformação e a fluidez, e não o poder teimoso, caracterizam o Deus vivo. A grande figura do momento existe, tão-somente, para ser derrubada, cortada em pedaços e espalhada pelos quatro cantos do mundo. Em suma, o ogro-tirano é o patrono do fato prodigioso; o herói patrocina a vida criativa” (Campbell, p. 324-325).

Com uma vasta gama de super-poderes, beirando a invencibilidade, essa imposição “tirânica” dele significa o avanço da figura Americana sobre o resto do mundo. Para contestar o levante do Morcego, que em meio ao Caos que se encontrava Gotham levanta-se para fazer justiça com as próprias mãos, – uma alusão a qualquer outro país que tente se elevar do caos para atingir certa quantidade de ordem – Reagan ordena ao Super-Homem que este de um fim as atitudes “anárquicas/rebeldes” de Batman.

Para dar um término em seu ciclo do herói, o Homem-Morcego arma um grande plano: derrotar a maior força deste mundo, e morrer de uma forma heróica. “O último ato da biografia do herói é a morte ou partida. Aqui é resumido todo o sentido da vida. Desnecessário diz, o herói não seria herói se a morte lhe suscitasse algum terror; a primeira condição do heroísmo é a reconciliação com o túmulo” (Campbell, p. 339).

Durante a luta é possível se perceber outra característica que separa os dois: Batman planeja todas as ações e movimentos minuciosamente, enquanto o Super-Homem e sua arrogância e prepotência a respeito de seus poderes, simplesmente ataca com socos e pontapés, chegando até a errar um golpe. “Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece, mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo, perderá todas as batalhas” (Sun Tzu)Sun Tzu. Super-Homem acreditava que conhecia o interior de Batman, assim como o seu, visto sua crença e seus atos, mas no fim ele traíra a si mesmo e a todos os conceitos que um herói real deveria possuir: ser fonte de inspiração e tentar fazer o melhor para todos, e não para uma facção.

“A tarefa do herói, a ser empreendida hoje, não é a mesma do século de Galileu. Onde então havia trevas, hoje há luz; mas é igualmente verdadeiro que, onde havia luz, hoje há trevas. A moderna tarefa do herói deve configurar-se como uma busca destinada a trazer outra vez à luz a Atlântida perdida da alma coordenada. Evidentemente, esse trabalho não pode ser realizado negando-se ou descartando-se aquilo que tem sido alcançado pela revolução moderna; pois o problema não é senão o de tornar o mundo moderno espiritualmente significativo – ou (enunciando esse mesmo principio de forma inversa) o de possibilitar que homens e mulheres alcancem a plena maturidade humana por intermédio das condições da vida contemporânea.” (Campbell, p. 373)

Atordoado com uma flecha de Kryptonita – pedra verde que o enfraquece, como um símbolo da gênese do herói, quando ele ainda era um ser falível, sem ter seus poderes – e surrado por um só homem, Super-Homem sente o jugo por seu desvirtuamento: o Deus padece perante o homem, que seguindo com vigor e virtude, pode vencer até mesmo o sistema que lhe é imposto. Batman então tem um ataque cardíaco e morre, ainda com as mãos marcando o pescoço do super-ser. Porém, a morte foi forjada, mostrando que ainda há uma esperança apesar de tudo. No caminho do herói, mesmo não se valendo dos tradicionais signos que acompanham estes personagens míticos, Batman mostra-se o mais humano de todos, dando uma verdadeira lição no Übermensch de Nietzsche, e reunindo-se com parte da juventude a qual pretende guiar para seguir seus passos, termina sua vida de herói como uma grande morte simbólica, mas ainda sim, mantendo sua lenda para sempre nos anais da história.

“O herói moderno, o indivíduo moderno que tem a coragem de atender ao chamado e empreender a busca da morada dessa presença, com a qual todo o nosso destino deve ser sintonizado, não pode – e, na verdade, não deve – esperar que sua comunidade rejeite a degradação gerada pelo orgulho, pelo medo, pela avareza racionalizada e pela incompreensão santificada. ‘Vive’ diz Nietzsche, ‘como se o dia tivesse chegado’. Não é a sociedade que deve orientar e salvar o herói criativo; deve ocorrer precisamente o contrário. Dessa maneira, todos compartilhamos da suprema provação – todos carregamos a cruz do redentor -, não nos momentos brilhantes das grandes vitórias da tribo, mas nos silêncios do nosso próprio desespero” (Campbell, p. 376).

Bibliografia


BATMAN: THE DARK KNIGHT RETURNS - Os Pensadores, Nietzsche, Editora Nova Cultural, 1996, Sobre o Livro: Assim Falou Zaratrustra, Nietzsche, Friedrich


- A Epopéia de Gilgamesh, Texto Anônimo organizado por N. K. Sandars, Editora Martins Fontes, 1992


- O Homem e seus Símbolos,von Franz, M.L.; Jung, Carl G; Henderson, Joseph L.; Jacobi, Jalonde; Jaffé, Aniela, Editora Nova Fronteira, 17ª Impressão


- Herói de mil faces, Campbell, Joseph; O Editora Cultrix/Pensamento – Original: The Hero with a thousand faces, 1949, Princeton University Press


- Sun Tzu, A Arte da Guerra, Editora Record ,24ª Edição, 2001

quarta-feira, janeiro 18, 2006

Novidades Marvel (Spoilers)

Bem, antes de anunciar suas novidades já para o mês de abril, a Marvel Comics anunciou algumas grandes mudanças no selo Marvel Knights. Pois alguns títulos deixarão o selo e voltarão ao selo normal da editora. São eles: Capitão América, Hulk e Pantera Negra. A revista "Marvel Knights Spider-Man" também deixa o selo e passa a se chamar Sensational Spider-Man. E "Marvel Knights Fantastic Four" se chamará apenas Four.

Para os leitores não acharem que é o fim, Joe Quesada já anunciou algumas novidades que vem por aí: Surfista Prateado por J. Michael Straczynski (Poder Supremo) e Esad Ribic (Loki); The Spider by Kaare Andrews (Spider & Doc Octopus Year One); e a versão western de Motoqueiro Fantasma por Garth Ennis (Justiceiro) e Clayton Crain (Ghost Rider).

Vamos aguardar as mudanças que vão ocorrer gradativamente, enquanto isto fique com as novidades anunciadas pela editora para abril de 2006:

* Ultimate Fantastic Four #29 - Thor junta forças ao Quarteto para enfrentar o Super-Skrull;

* Ultimate Spider-Man #93 - Peter vai precisar da ajuda dos X-Men para enfrentar o novo Deadpool;

* Ultimate X-Men #69 - Ciclope x Wolverine, segundo round;

* Son of M #5 - o reencontro de Mercúrio e Magneto. E a loucura de Pietro para recuperar os poderes mutantes;

* Amazing Spider-Man #531 - o herói e sua nova armadura enfrentam o Homem-Titânio;

* Black Panther #15 - começa os preparativos para o casamento de Pantera Negra e Tempestade;

* Daredevil #84 - Murdock na cadeia? Seria saudável?

* Moon Knight #1 - enfim estréia a nova encarnação de Cavaleiro da Lua;

* Captain America #17 - o herói e seus aliados enfrentam a fúria de Crossbones e da filha do Caveira Vermelha;

* Fantastic Four #537 - enquanto o Quarteto encontra um renascido Dr. Destino, começa o prelúdio de Civil War;

* Iron Man #7 - novo time criativo formado por Daniel Knauf (Carnivale), Patrick Zicker (Deadpool & Cable) e Adi Granov continua nas capas;

* Avengers & Power Pack - a maior equipe da Marvel encontra o time-mirim Quarteto Futuro numa minissérie em quatro partes;

* Miss Marvel #2 - a heroína combate um início de invasão da Ninhada na Terra; * New Avengers Annual #1 - o casamento do ano: Jéssica Jones & Luke Cage;

* Thunderbolts #101 - a união de Barão Zemo e Songbird;

* Astonishing X-Men #14 - Wolverine de novo no caminho de Ciclope??

* Exiles #79 - os Exilados no "Futuro Imperfeito" do Hulk;

* Wolverine #41 - Logan em uma aventura na África;

* Wolverine: Origin #1 - todos os buracos na vida de Logan começam a ser descobertos;

* X-Men #185 - só os X-Men podem impedir que Apocalipse extermine 90 % da vida na Terra;

* Cable/Deadpool #27 - Cable e Apocalipse unindo forças??

* Marvel Team-Up #19 - num passado próximo, Wolverine e Cable juntam forças contra o Ringmaster

Spoiler do novo Cavaleiro do Apocalipse


É verdade, o arqui-inimigo dos X-Men, o Apocalipse, está de volta e não vem só! Depois da Marvel ter posto na roda os nomes Avalanche, Fera, Fera Negro, Miragem, Gambit, Mística, Ozymandias, Polaris, Destrutor, Sebastian Shaw e Solaris, já foi adiantada uma imagem de um dos Cavaleiros do Apocalipse. Possivelmente será Gambit, já que na capa de X-Men #185 (ao lado), a ser lançado em Abril deste ano, podemos ver o tal cavaleiro com bastão de Gambit, no seu uniforme e Vampira, provalvente a chorar pelo seu amado se ter virado contra os pupilos de Xavier.Dos doze nomes acima referidos, quatro serão escolhidos para os postos de cavaleiros (são eles Peste, Fome, Guerra e Morte).

quarta-feira, janeiro 11, 2006

Frank Cho Women: Selected Drawings and Illustrations


Frank Cho finalmente publica artes de nudismo

Frank Cho divulgou recentemente em seu site a capa de seu livro Frank Cho Women: Selected Drawings and Illustrations que será lançado pela Image. A capa mostra algo que Cho sabe fazer muito bem, mulheres nuas. Não foram dados mais detalhes sobre a publicação.

O artista aproveitou o comunicado para anunciar que a Marvel vai fazer uma série de histórias em homenagem aos romances em quadrinhos que ela publicava durante os anos 50 e 60. Ele será um dos capistas da série de one shots que serão lançados.

Para ver s versão sem censura: http://www.libertymeadows.com/covers/Cho-Women-U.jpg

domingo, janeiro 08, 2006

Mythos escreveu:

Fernando Bertacchini falou no fórum http://www.mbbforum.com/ sobre Camelot 3000 e o seu preço:

"Pessoal, eu não vou ter tempo de postar respostas pessoais, mas resolvi dar satisfação a vocês sobre o preço de Camelot e outros TPBs da Mythos. Abraços, Fernando Bertacchini.

Até certo ponto, entendo a indignação de muitos acerca do preço de Camelot 3000. Porém, acredito que uma série de fatores devem ser levados em conta.

Antes de mencioná-los, quero deixar claro, sendo sincero, que nós mesmos chegamos a nos assustar a cada orçamento que recebemos das gráficas, e gostaríamos demais que não apenas Camelot 3000, mas todos os nossos títulos, pudessem custar menos.

Agora, vamos aos fatos. Quem for fã antigo de HQs, talvez já tenha alguma noção de que os custos de papel no Brasil são altíssimos, sempre cotados em dólar, ainda mais quando a publicação é impressa em formato americano, um formato que provoca grande sobra (perda) de papel. O preço desse desperdício é totalmente cobrado da editora, pois não pensem que as gráficas arcam com esse desperdício. Por isso, o formatinho e o formato Mythos podem custar um pouco menos. Nessas estruturas, as revistas podem ser impressas aos pares, sem perda de papel. No entanto, esses formatos não são os preferidos do público que compra HQs, hoje formado basicamente por leitores adultos, já que os crianças e adolescentes raramente se habituam a ler quadrinhos quando têm como divertimento alternativo videogames, TV a cabo, internet, etc.. Especialmente no caso de Camelot, já publicado no Brasil, mais de uma vez, em formatinho, temos certeza de que até mesmo em formato Mythos a rejeição seria enorme.

Outro detalhe específico de Camelot 3000: ao contrário do que a maioria dos leitores acredita, o papel offset é mais caro que o LWC, usado em Conan, o Cimério volume Um e outros encadernados, como Rising Stars e Hellboy: O Verme Vencedor. Ocorre que, devido à impressão não muito boa e o processo de colorização antigo de Camelot, julgamos que a reprodução ficaria melhor em offset, como de fato ficou. Mais uma informação: um dos motivos da demora em lançar essa edição foi justamente a expectativa de que a DC produzisse uma edição definitiva, com novas cores e extras, o que nos permitiria oferecer um produto ainda mais caprichado. Infelizmente, essa expectativa não se confirmou e a vigência do contrato se aproximava do fim, então publicamos nos moldes do TPb original mesmo.

Pra continuar, a gráfica São Francisco, onde rodamos Camelot e Conan, o Cimério volume Um, é uma das melhores que conhecemos. Depois de um número razoável de críticas de leitores à impressão de Hellboy: O Verme Vencedor e Rising Stars, a direção da Mythos Editora resolveu usar nestes dois casos a gráfica que oferece a melhor qualidade possível, mesmo que esta não apresente o orçamento mais baixo. E quem imagina que 60 reais é preço digno de capa dura, está enganado. Acredito que, com capa dura e mais de 300 páginas, Camelot custaria, chutando baixo, uns 70 reais. Pra vocês terem uma idéia, só o acréscimo de orelhas, que chegaram a ser orçadas, elevaria o custo unitário em cinco reais. Eu poderia ainda comparar números e estruturas com publicações concorrentes, mas não vou ser antiético. Vocês mesmos já costumam debater exemplos em vários posts.

De qualquer forma, acreditem, os orçamentos de gráficas de alto padrão como a São Francisco são condizentes com a qualidade oferecida. Além disso, a tiragem de uma edição com mais de 300 páginas jamais poderia ser alta, o que, todos sabemos, encarece o preço unitário. Portanto, em casos como este, não há margem de redução para a editora, a não ser, repito, se a gente produzisse em formato Mythos, fator que o público-alvo certamente desaprovaria, pelos motivos que citei pouco acima. E quem acompanha nossos títulos deve lembrar que já tentamos de tudo pra atrair novos leitores: uns dois anos atrás, reduzimos o preço das revistas... e as vendas não melhoraram. Ou seja, provocamos prejuízo nos títulos com preço reduzido. Depois, mudamos o papel de várias minisséries ou especiais em edição única pra Pisa Britte, o que permitiu novamente baixar o preço de capa. De novo, as vendas não reagiram. Já fizemos edições encadernadas tanto com papel LWC quanto Pisa Britte, em gráficas diferentes e com preços de capa distintos. E as vendas praticamente não variam, alcançando basicamente os mesmos patameres, um indicativo de que são os mesmos compradores. E esses patamares, aliás, não vêm subindo. Ao contrário, vêm caindo assustadoramente, inclusive em títulos exclusivos com histórias excelentes, caso de Conan o Cimério. Um reflexo, certamente, da economia estagnada e o desemprego que continua assolando o país e do enorme número de opções em bancas.

Outro detalhe importante a respeito desse assunto é que todo mundo cai matando em cima das editoras, mas não leva em conta a alta margem de lucro dos jornaleiros. Não sei exatamente de quanto é essa margem, mas ao menos há alguns anos ela era de 30%. Ou seja, qualquer jornaleiro pode perfeitamente, se assim desejar, vender revistas abaixo do preço "sugerido" na capa. Afinal, o preço impresso não é um tabelamento oficial e obrigatório... então, os donos de bancas poderiam perfeitamente baixar a margem em uns 10% e, ainda assim, lucrariam bastante numa publicação do porte de Camelot 3000. Mas algum leitor se lembra disso e protesta contra os jornaleiros? Não, todo mundo imagina que a editora é que quer sugar o bolso dos leitores, que a editora lucra mais de 50% por exemplar vendido, quando a margem dela fica muito longe disso. A distribuidora também leva uma bela fatia do bolo, mas todo mundo acha que é a "demoníaca" editora que faz questão de explorar o bolso dos leitores, como se a distribuidora trabalhasse de graça... pensem bem, jornaleiro e distribuidora fazem o trabalho deles numa situação supertranqüila, pois praticamente não arcam com prejuízos, já que os exemplares encalhados não custam nada pra eles, são todos devolvidos. E a editora, além de armazenar e administrar esses encalhes depois do lançamento, já arcou antes do lançamento com os custos de produção, bem altos pois são quase todos calculados em dólar (e nem vou discorrer sobre a extorsiva tributação do país). Os valores pagos pelos direitos de publicação de Camelot e Conan o Cimério volume 1, pra citar dois exemplos, foram altíssimos. E futuramente ainda teremos de pagar porcentagem sobre total de vendas (royalties). Novamente, em dólar.

Só pra complementar essa etapa da explicação, acabamos de renovar os contratos de publicação de Conan, e embora nossas vendas não tenham subido, tivemos de arcar com um aumento dos valores envolvidos. Isso é muito comum, ter de pagar mais pra continuar publicando o mesmo título, pois licenciantes internacionais não costumam sensibilizar-se quando mostramos que as vendas no Brasil não cresceram. Se no mercado original o produto vai bem, o licenciante exige o que acha que seu produto vale. Há também outros agravantes. Por exemplo: se alguma editora brasileira ignora a ética e atravessa nossa negociação pra tentar "roubar" um determinado título de nós, isso oferece ao licenciante a desculpa perfeita pra exigir aumento de nossa parte. E os leitores não têm noção do quanto isso acontece. Nós, da Mythos, sempre fugimos de "leilões" (posso garantir, pois sou responsável por diversas negociações) de títulos onde concorrentes chegaram primeiro, justamente porque temos experiência suficiente pra saber que os representantes internacionais quase sempre respeitam a prioridade de quem chegou primeiro, porém aproveitam a chegada de atravessadores pra arrancar um pouco mais do "freguês" anterior. Ou seja, mesmo que a gente resolvesse atravessar alguma negociação entre qualquer licenciante internacional e outra editora brasileira, é quase certo que não conseguiríamos "roubar" o título, apenas contribuiríamos para que o concorrente nacional fosse obrigado a pagar mais pelo produto que começou a negociar antes que manifestássemos nosso interesse. Em suma, nós não ganharíamos NADA com isso, mas os LEITORES sairiam perdendo, pois pagariam mais caro pela publicação. Infelizmente, essa é a NOSSA conduta, mas nem todo mundo tem a mesma ética. A propósito, mais de uma vez já chegamos a desistir de títulos onde chegamos primeiro (alguns são casos bem recentes) porque preferimos não pagar o preço inflado por atravessamentos. Em alguns casos, aliás, já chegamos até a desistir porque o "leilão" levou o produto à estratosfera, e preferimos fazer o possível pra não nos tornarmos a editora mais careira do Brasil. Em todos esses casos, a publicação chegou ao mercado nacional por um preço TRÊS VEZES SUPERIOR ao que calculávamos quando iniciamos a negociação, ou seja, antes do atravessador antiético se intrometer.

Outro detalhe que quase esqueci: os altos custos gráficos vêm sendo reajustados praticamente de três em três meses, e a Mythos procura repassar os aumentos para o preço de capa uma vez por ano, às vezes num prazo ainda maior. De preferência, o repasse ocorre quando o nó no pescoço aperta demais e as opções são aumentar ou cancelar. Às vezes, os leitores conseguem assimilar o aumento e não abandonam seu título preferido. Em outras, eles desistem e a revista sai de circulação, como aconteceu com alguns títulos Bonelli.

Em suma, a gente realmente gostaria de ter um preço muito mais baixo, mas este mercado editorial não permite. Isso só mudaria se aqui fosse como nos Estados Unidos, onde as revendas COMPRAM lotes de publicações das editoras, em vez de recebê-los em CONSIGNAÇÃO. Digamos que a gente, ao licenciar Camelot, logo recebesse uma encomenda de uns mil exemplares de um revendedor qualquer... esses exemplares seriam comprados sem direito a devolução caso encalhassem. Nesse panorama, essa receita bruta prevista já seria levada em contra na hora de calcular o preço de capa.

Outro exemplo: se além das revendas constituídas, ainda houvesse um mercado forte de venda direta ao leitor, com certeza o preço de cada exemplar cairia ainda mais. Suponhamos que uns mil leitores encomendassem um determinado título diretamente da editora, pagando cerca de metade do preço um mês antes do título ir para a gráfica... é evidente que o preço seria muito mais convidativo, pois, nesse caso, a editora poderia abater a margem de lucro dos jornaleiros e da distribuidora (e o frete seria calculado de acordo com a preferência do leitor - Sedex ou encomenda normal).

A propósito, aí entra mais um detalhe: se a gente tentasse implementar um processo forte de venda direta ao leitor, mesmo que se limitasse às edições encadernadas, sabe o que aconteceria? BOICOTE dos jornaleiros... os demais títulos Mythos provavelmente seriam recusados pelas bancas e, sem jornaleiros, nenhuma editora sobrevive. Isso é garantido, e ninguém tem noção da pressão que a Editora Abril, por exemplo, sofria dos donos de bancas na época em que implantou as assinaturas dos pacotes Marvel e DC... era uma verdadeira guerra velada

Espero ter ajudado um pouco a elucidar sua compreensão do mercado editorial e dos fatores que compõem o preço de cada revista.

Atenciosamente, Fernando Bertacchini.

Nota: como todos notaram, eu nem quis abordar o reflexo dos pirateiros digitais (scans) nas nossas vendas e preços de capa. Mas quero encerrar com um exemplo: dois dias depois de lançarmos Rising Stars, portanto antes mesmo da segunda fase de distribuição, um famoso e tradicional pirateiro que odiamos profundamente e estamos buscando meios de caçar escaneou e começou a distribuir a NOSSA revista na internet. A estimativa é que esse cara tenha nos custado a venda de, no mínimo, 300 exemplares. Alguém acha que isso não influi?"

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Editora Pixel estréia com Corto Maltese e promete muito mais

Corto Maltese, a obra máxima do italiano Hugo Pratt, finalmente volta ao Brasil, pela Pixel Media, a mais nova editora do mercado de quadrinhos, fruto de uma parceria inédita entre a Ediouro e a Futuro Comunicação.

E a estréia é em grande estilo, com um dos maiores clássicos dos quadrinhos mundiais: A Balada do Mar Salgado (formato 21 x 28 cm, 176 páginas em preto-e-branco, papel couché, R$ 33,00), primeira aventura do personagem, que já foi publicada aqui em 1983, pela L&PM. Infelizmente, no entanto, a editora gaúcha nunca deu a merecida atenção a Corto Maltese.

Agora, a Pixel promete lançar todos os álbuns do garboso marinheiro. Até então, apenas os leitores que tinham acesso às belas edições da portuguesa Meribérica / Liber puderam acompanhar suas aventuras cheias de intriga, ação, romance e até humor.

Criado em 1967, Corto Maltese logo se tornou um dos mais fascinantes personagens de histórias em quadrinhos de todos os tempos. Aventureiro, misterioso, conquistador, audacioso, dono de um espírito libertário e amante da liberdade, sempre concedida a ele pelo mar, o personagem virou sinônimo de HQ de qualidade.

Sempre trajando um casaco azul-marinho, quepe branco e com seu brinco na orelha esquerda, Corto é a personificação do homem do mar. Esse apego pelo oceano o herói herdou de seu pai, um marinheiro inglês. De sua mãe, uma exuberante cigana andaluza, ganhou a pele morena, o amor pela liberdade, a arte de ler passado e futuro nas cartas e, principalmente, o gosto pela aventura, conhecendo a cada porto novos lugares e pessoas.

Em suas aventuras, passadas na costa brasileira, em Veneza, na Argentina e em diversos países da África e Europa, Corto encontra figuras históricas e personagens conhecidos como Stalin, Jack London, o Barão Vermelho e outros. Além de "desfrutar" da companhia do barbudo Rasputin, seu inimigo ou aliado, dependendo da circunstância.

As histórias de Corto Maltese eram fruto de uma intensa pesquisa de Hugo Pratt (morto em 1995). A diferença é que o autor as fazia in loco, pois também era um viajante inveterado.

A editora garante que Corto Maltese é só o "pontapé inicial" no mercado de quadrinhos. Para tanto, já anunciou outros títulos bastante interessantes, como Gullivera e A Metamorfose de Lucius (ambos já lançados pela Meribérica; e Gullivera também publicado pela Heavy Metal Brasil), do italiano Milo Manara; Madman, de Mike Allred; Heart of Empire (seqüência de As Aventuras de Luther Arkwright cujas primeiras histórias foram lançadas aqui em dois álbuns da Via Lettera), de Brian Talbot; Shock Rockets, de Kurt Busiek (roteiro) e Stuart Immonen (arte); Jingle Belle, de Paul Dini; Thief of Always, de Clive Barker (argumento), Kris Oprisko (roteiro) e Gabriel Hernandez (desenhos).

Além disso, Criaturas da Noite, de Neil Gaiman (texto) e Michael Zulli (arte), e Arthur - Uma Epopéia Celta, de David Chauvel (roteiro) e Jérôme Lereculey (desenhos), deverão ganhar edições encadernadas mais luxuosas.

Outra boa notícia é que a editora lançará quadrinhos nacionais voltados para o público adulto. E começa logo O Curupira, trabalho inédito do mestre Flavio Colin, falecido em 13 de agosto de 2002. No álbum, o autor utiliza a lenda do Curupira para mostrar diversas facetas dos problemas ambientais do Brasil.

Os quadrinhos da Pixel serão lançados em bancas selecionadas e livrarias e a promessa é de álbuns de grande qualidade editorial, em sua maioria com 100 a 200 páginas, formatos grandes e valores entre R$ 20,00 e R$ 35,00.

Fontem: www.universohq.com

sábado, dezembro 31, 2005

A Caixa de Areia


Sobre Press Release:

Um dos autores de quadrinhos mais premiados no Brasil, Lourenço Mutarelli tem conquistado cada vez mais a admiração do público e destaque na mídia após suas incursões no cinema, no teatro e na literatura.

Agora ele mostra um pouco mais do seu talento em A Caixa de Areia (formato 14 x 21 cm, 144 páginas, R$ 25,00), uma autobiografia em quadrinhos na qual ele mescla experiências pessoas a eventos fictícios e sonhos.

Todo o visual do livro foi criado pelo autor para passar a idéia de que a obra é uma história escrita e desenhada nas páginas envelhecidas de um caderno escolar. Até mesmo a capa foi concebida com esta intenção.

Em páginas extremamente detalhadas, Mutarelli cria um elo de intimidade com o leitor, dividindo com eles suas memórias e devaneios de infância e dos dias de hoje numa história que explora os sonhos do autor quando criança. Ilusão e realidade se fundem na história.

A Caixa de Areia estará disponivel nas comics shops e livrarias está previsto para o inicio de 2006.

Catálogo Oficial da Panini

Retirado do fórum da panini:
http://www.hotsitepanini.com.br/forum/viewtopic.php?t=22579

Fórum Panini Brasil
«INTRODUÇÃO:
Salve povo brasileiro! Esse projeto foi iniciado por mim, mas só o terei completo com ajuda de todos os fãs do Homem-Aranha no Brasil. Este projeto vem por trazer a cronologia completa do Homem-Aranha desde sua parição até o hoje. O arquivo está no formato Microsoft Office Excel 2003. Ele está muito incompleto porque eu não possuo todas as revistas do Homem-Aranha no Brasil, mas acredito que aqui no Fórum Panini Comics isso seja possível. Por isso peço a colaboração de todos, administradores, tira-dúvidas e toda a comunidade para que possamos concluir esse projeto que ajudará e muito quem pretende comprar alguma revista, pois poderia ver qual o está interessando e comprar exatamente a que falta, assim economizando dinheiro e tempo. Todas as informações de foram tiradas do site http://www.spiderfan.org/. Formatadas e Editadas por mim, este arquivo contém todas as aparições do Homem-Aranha em toda a sua existência em todas as revistas Marvel. Bom, espero que com minha iniciativa e com as colaborações de todos possamos concluir e colocarmos nossos nomes na história dos quadrinhos brasileiros.

DOWNLOADS:
DOWNLOAD DO ARQUIVO
1.0 Instrução: clique no link acima e quando abrir a página clique no botão "Free". Espere a contagem regressiva, escreva o código e efetue o download.

COMO AJUDAR?
Para ajudar é simples. Vocês pegam todas as suas revistas onde aparecem o aranha e começam a listar ela assim: Abril Homem-Aranha #002 The Amazing Spider-Man #183 e se numa mesma revista possuir mais de uma história como: Abril Homem-Aranha #002 The Amazing Spider-Man #190/The Amazing Spider-Man #191 é só isso gente que eu pesso! Mas vocês tem que ter certeza das informações, qual quer coisa tira a dúvida com o pessoal gente boa do fórum! Eu vou atualizar a cada semana o download com as novas informações! "

Análises: Astérix - O Céu Cai-lhe em Cima da Cabeça

Argumento e desenho: Albert Uderzo
Cor: Frédéric Mébarki e Thierry Mébarki
Coordenação: Studio 56
Edições Record

Mais uma aventura de Astérix e dos seus amigos Gauleses. Desta vez, eles vêem-se atormentados pelo seu maior medo: que o céu lhes caia em cima da cabeça. Da primeira à última página vemos o desenho de Uderzo um pouco diferente do normal, já que devido à sua idade, tem de ser acompanhado por outra pessoa que o ajude. É dessa forma que pudemos desculpar o autor pois o aspecto gráfico, mesmo não sendo mau, já deixou de ser dele há já algum tempo. Já não se sente o mesmo quando viamos a dupla Goscinny/ Uderzo em acção.

A capa está muito boa em termos de cor. Assemelha-se muito à da primeira versão da Meribérica já que em vez de estar a dar um murro em dois romanos, Astérix está a socar uma espécie de cometa que veio do espaço, num dia completamente nublado. Também aparece Obélix, sempre com um menir às costas e acompanhado pelo já carismático Ideáfix, o único cão ecológico da história da BD.
Passando ao conteúdo, posso dizer que é agradável. No desenho temos a habitual abundância de pormenores. Ainda assim, o autor esforça-se muito para que continue a dar entusiasmo à estória. As personagens estão bem caracterizadas e as paisagens estão muito bem concebidas. A cor também não está mal aplicada, só as sombras é que precisam de ser um pouco ou quase nada afinadas.
O argumento é que estraga tudo estando um pouco estranho e fora do normal. É inusitado fazer com que apareçam super-heróis e extraterrestres neste universo, já que estamos no ano 50 antes de Cristo. Este estilo é quase sempre fiel ao humor (que esteve um tanto ou quanto ausente neste número) e quase sempre (pois há estórias em que isso acontece) isento de motivos de ficção científica. Vá lá que os Gauleses se esqueceram disto tudo - já o leitor não teve tanta sorte.
Possivelmente este foi o último volume da já mítica série. É um pouco triste ouvir essa notícia mas só quereria mais um número se estivesse garantido o regresso da qualidade.

Nota: 4.5/10

Novidades Conrad em 2006

Retirado do site da Conrad Editora

«Entre os muitos lançamentos que a Conrad prepara para 2006, está Adolf, de Osamu Tezuka. Publicado em cinco edições no Japão, o enredo do mangá gira em torno de três personagens com o mesmo nome: Adolf Kaufmann, filho de um diplomata alemão e uma japonesa; Adolf Kamil, filho de humildes padeiros judeus; e Adolf Hitler. Adolf (Adolf Ni Tsugu, no original) chegará ao Brasil após o lançamento do 14° e último volume da série Buda, também de Tezuka. Assim como Buda, Adolf é um mangá premiado, recebeu o prêmio Kodansha, e é considerado uma das últimas obras importantes de Tezuka, falecido em 1989. A história tem início em agosto de 1936, quando o repórter japonês Sôhei Tôge faz a cobertura das Olimpíadas de Berlim. Durante as olimpíadas, seu irmão, Isao, desaparece e Sôhei acaba se envolvendo em uma trama que gira em torno de documentos que atestam que o próprio Hitler era descendente de judeus. Adolf Kaufmann e Adolf Kamil entram na história depois. Eles moram na cidade de Kobe e se tornam grandes amigos, amizade que não é aprovada por suas famílias. Kaufmann ingressará no grupo das juventudes hitlerianas, e Kamil e sua família sofrerão com a perseguição aos judeus. Ambos terão que superar inúmeras dificuldades ao longo da II Guerra Mundial. A amizade dos dois se transforma em um dilema. Enquanto isso, Sôhei também deverá enfrentar grandes perigos para salvar sua vida e os documentos que descobriu.

Chega ao Brasil em janeiro de 2006, o livro mais famoso de Lat, cartunista malaio, um dos mais populares e respeitados na Ásia. O Menino do Kampung é uma obra autobiográfica em que Lat conta como vive Mat Som, um menino que cresce em um kampung dos anos 50. Kampungs são vilarejos típicos do interior da Malásia. Os primeiros anos da vida de Mat se passam em meio a seringais e uma imensa área de mineração de estanho. O Menino do Kampung é um retorno à uma época que parecia perdida: a rotina pacata do campo, as tradições passadas de pai para filho, os banhos de rio, as pescarias, estudos do Alcorão, o universo dos meninos e suas brincadeiras.Lat tem o traço similar ao de Henfil e Mat Som tem toda a graça do Menino Maluquinho, de Ziraldo. Com Mat, o autor faz o que o argentino Quino fez com a mundialmente conhecida Mafalda: retratou uma época através de uma personagem. O livro é um relato primoroso de uma cultura rica e variada que, não fossem os desenhos de Lat, poderia estar escondida do mundo.Nascido em 1951 em Kota Baru, um kampung no norte da Malásia, Lat (pseudônimo de Mohammad Nor Khalid) é um dos cartunistas mais populares e admirados da Ásia. Talento precoce, começou sua carreira profissional aos 13 anos de idade, encorajado principalmente pelo pai, que o incentivava a retratar em seus desenhos os eventos de seu dia-a-dia e o ambiente ao seu redor.Artista prolífico, seus cartoons são considerados um retrato valioso da vida política e cotidiana de seu país. Dono de uma incrível popularidade, principalmente na Malásia e em Cingapura, seu trabalho deu origem a musicais e a um desenho animado para a TV. Reconhecido internacionalmente, em 2003 teve sua vida contada em um documentário produzido pelo Discovery Channel. O Menino do Kampung é seu trabalho mais conhecido, aquele que lhe trouxe a consagração definitiva como um dos maiores de seu tempo

Apesar do suspense da editora, o próprio Neil Gaiman acabou entregando em seu blog pessoal. Anansi Boys, o mais novo livro do premiado escritor de Sandman e que ficou por várias semanas no primeiro lugar dos mais vendidos nos Estados Unidos, chegará no ano que vem pela Conrad. A previsão é que seja lançado em maio de 2006.

Além de Anansi Boys, a editora também trará mais três lançamentos de Gaiman. Neverwhere (que recentemente ganhou uma mini-série pelo selo Vertigo, com roteiro de Mike Carey e Glenn Fabry), The Dead Boys Detectives (de Jill Thompson, a mesma autora de Morte - A Festa) e a esperada edição de luxo com as duas mini-séries da Morte (O Preço da Vida e O Grande Momento da Vida, lançadas em 1994 e 1997 pela Editora Globo e Editora Abril, respectivamente).

Continuando a investir no quadrinho europeu, a Conrad também traz no ano que vem trabalhos de Milo Manara e Guido Crepax. Crepax chega em março com uma série de três álbuns de sua principal obra: a bela Valentina. De Milo Manara, a editora traz o segundo volume de Bórgia, todos os álbuns da série Clic, e O Gaúcho, em parceria com Hugo Pratt.

A editora também trará mais álbuns underground de Robert Crumb, incluindo American Splendor, sua parceria com Harvey Pekar, que ganhou inclusive uma adaptação para os cinemas (lançada no Brasil como Anti-Herói Americano).

Para os fãs dos quadrinhos japoneses, chega em abril Mangá, de Paul Gravett, o mais importante livro sobre mangás já produzido no ocidente. Mangá será uma uma edição de luxo em quatro cores, com design gráfico da premiada Lawrence King.

Além dessas novidades, a Conrad também promete diversos livros para todos os gostos, como o Inquisidor de Valério Evangelisti (o mesmo autor de Black Flag), mais livros da série Baderna, mais trabalhos de Albert Cossery, Hunter S. Thompson e muito mais»

Primeiro Post

Bem-vindos todos a este simples blog que planeja divulgar HQs do Brasil e do mundo. :)
Quadrinhos, cinema, TV, RPG, animação, videogames e brinquedos. E só a gente tem tracinho!